Protagonista estuda peças de quebra-cabeças em "Joquempô", de Rogério Vilela

A frase “o mundo está dividido entre… e…”, passível de ser completada por uma infinidade de termos, serve de esquema para explicar o funcionamento do mundo no gibi “Joquempô”. Nesse caso, a divisão é entre aqueles que são “papel” (as pessoas que mudam o mundo com ideias), “pedra” (a massa) e “tesoura” (os poderes político, econômico e religioso).

Para quem se lembra do joguinho, o esquema faz o mundo funcionar mais ou menos assim: formadores de opinião influenciam a massa, que derruba governos, que podam ideias etc. Essas engrenagens, que ainda serão mais bem explicadas no segundo número do gibi –previsto para junho–, são parte de um mecanismo complexo planejado pelo autor Rogério Vilela. O projeto inclui 11 temporadas, cada uma com número variável de edições.

A história do gibi, com pitadas de “Lost” e “Jogos Mortais”, se passa em 2014, num mundo em que os países da América Latina estão em guerra. Ronaldo é treinador da seleção brasileira de futebol e o PCC se aliou ao governo de SP para cuidar da população carente. Os protagonistas se envolvem numa série de mistérios e perigos que, como promete a capa do gibi, podem “alterar de forma definitiva o destino de toda a civilização”.

Como boa obra de suspense baseada em enigmas, “Joquempô” pede leitores atentos e dispostos a voltar para quadros anteriores em busca de detalhes então ignorados.

O roteiro bem estruturado de Vilela, porém, aliado ao traço limpo de Nelson Cosentino, garantem que esse esforço de leitura não seja maçante.

Entre os recursos de que lançou mão está, por exemplo, a grade fixa de nove quadrinhos, que norteia o ritmo das cenas de maneira cinematográfica.

A narrativa de Vilela é fruto de carreira de fôlego. Ele fundou o site de humor “Mundo Canibal” e a produtora Fábrica de Quadrinhos. Também foi desenhista da Marvel e ilustrou RPGs e jogos de cartas como “Magic: The Gathering”.

O projeto de “Joquempô” é o mais recente de sua trajetória, mas surgiu paralelamente aos demais. Começou há quase dez anos e chegou a render um romance -engavetado. A ideia foi acelerada com a chegada dos R$ 25 mil recebidos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, por meio do Programa de Ação Cultural de 2008.

Cada arco de histórias da série terá um desenhista diferente.

JOQUEMPÔ
Autores: Rogério Vilela (história) e Nelson Cosentino (desenhos)
Editora: Devir
Quanto: R$ 19,50 (56 págs.)

por DIOGO BERCITO

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